Após ter conhecido o Pedro, nos encontrávamos todos os dias, e durante um desses dias algo diferente começou brotar dentro de nó, um sentimento mais forte, puro e sincero do que eu poderia imaginar.Quando suas mãos me tocavam, ao ouvir sua voz, era como se uma paz invadisse minha alma, transformando todo meu ser em um amor indescritível, porém, apesar de todo esse amor, algo nos impedia de vivê-lo, nossa idade.
Eu tinha apenas 15 anos, e ele 16, e um namoro entre adolescentes em pleno século XVII era absolutamente proibido, e se infligíssemos essa regra poderíamos ser difamados pela sociedade e jamais nossos pais aceitariam nossa união.
Inúmeras vezes pensamos em fugir juntos para um lugar distante onde só haveria eu, ele e o nosso amor, mas as coisas não eram tão simples assim... se nós fugíssemos, para onde iríamos? Do que sobreviveríamos? Muitas perguntas, nenhuma resposta; sem falar no fato de que se nossos pais nos achassem não gosto nem de imaginar o que aconteceria. Diante de todos esses obstáculos, resolvemos esperar o tempo certo para só assim viver a nossa história.
Lembro-me que durante esse tempo, várias vezes ele tentou beijar-me, porém, um medo tomava conta de mim. Ah! Como eu desejava aqueles beijos, como eu queria sentir seus lábios, só que o medo sempre me impedia.
Conforme o tempo passava, o sentimento que havia dentro de nós só crescia e esperávamos ansiosos pela idade certa para realizar nosso sonho, o casamento. Esperamos tanto que até que chegou o dia.
Completei 20 anos, finalmente os 20 anos. Naquele dia ele foi ao encontro de meu pai e pediu minha mão em casamento, e para nossa total felicidade meu pai concedeu. Foi o dia mais feliz da minha vida, e eu acreditava que muitos dias felizes como aquele viriam.
Os dias se passaram e faltando apenas dois dias para o nosso tão esperado casamento nos encontramos no jardim de minha casa; trocamos juras de amor, nossos sorrisos e olhares se encontravam e a felicidade estava estampada em nós. O céu, as flores, o vento, tudo conspirava em nosso favor, e em meio essas conspirações nossos lábios se encontraram. Não tem como descrever aquele momento, seus lábios nos meus, o que eu tanto desejava estava acontecendo ali; senti que naquele exato momento Deus estava nos abençoando com o dom de amor mais puro que existe e nossa felicidade se consumava. Foi tudo como eu sempre esperei!
Na hora que estávamos nos despedindo ele me disse que iria para a cidade vizinha mais voltaria o dia seguinte, logo ao amanhecer. Despedimo-nos com um abraço, um abraço que me fazia sentir segurança, carinho, ternura. Quando ele se foi fiquei olhando-o até o momento em que meus olhos já não podiam mais alcançá-lo, logo após fui para o meu quarto e dormi imaginando que faltava muito pouco ara me casar com o único, grande e verdadeiro amor da minha vida.
Logo ao amanhecer fui esperá-lo no jardim e não parava de pensar que no dia seguinte nosso sonho se concretizaria. Porém as horas se passavam e ele não chegava, comecei a me preocupar até que o pai de Pedro chega e me diz:
- Clara minha querida, precisamos conversar.
Confesso que na hora me espantei, seu semblante estava abatido e seus olhos inchados com o de alguém que havia chorado muito. Olhei-o fixamente e ele prosseguiu falando.
- Não, sei nem como começar a falar, então serei direto. Clara, o corpo de Pedro foi encontrado em baixo de uma árvore, com as alianças de vocês ao lado.
Naquele momento meu mundo desabou, lembrei do nosso beijo, de seus lábios, suas mãos, seu sorriso encantador, seu olhar puro e sincero, seu abraço e de como eu me sentia protegida naqueles braços. Como alguém pode fazer uma crueldade dessas, e com qual objetivo?
Senti-me acabando com os segundos, e nada que me diziam me acalmava, ninguém sabia a dor que se passava dentro de mim, nem eu mesma conseguia descrever. Eu sabia que havia perdido o verdadeiro amor da minha vida, e que nunca mais iria ver o brilho dos olhos de Pedro, aqueles olhos que me transmitiam tanta paz. Aquilo me causava dor, e minha migas começaram a passar os dias comigo me consolando, mais isso não fazia a dor ir embora.
E com essa dor eu vivo os meus dias, com o rosto molhado de lágrimas sem saber se algum dia amarei alguém como eu amei aquele que abriu as portas do meu coração; mas a vida e assim, e nunca sabemos quando irá surgir um novo grande amor...
By: Jéssica Lanes Chalegra
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